56% dos seus gestores nunca fizeram um dia de curso pra liderar. E você acha que a culpa do desengajamento é da geração Z.
A Gallup mediu: 70% do engajamento de um time depende do gestor. E 56% deles nunca receberam treinamento formal. Sua empresa colocou piloto no comando sem tirar CNH — e culpa o vento. A diferença não é sorte. É método.
O avião cai. E a companhia culpa o passageiro.
Imagina uma companhia aérea que promove o comissário mais simpático a piloto. Sem simulador. Sem CNH. Sem uma hora de treinamento formal de cabine. E, quando o avião começa a tremer, a diretoria abre uma reunião pra discutir por que os passageiros estão reclamando tanto.
É mais ou menos assim que sua empresa está tratando liderança.
A Gallup acabou de publicar o State of the Global Workplace 2025, com mais de 100 mil profissionais entrevistados em 160 países. O número que ninguém quer olhar de frente: apenas 44% dos gestores no mundo receberam algum tipo de treinamento formal para liderar. Os outros 56% assumiram o cargo, o time e a responsabilidade sobre a vida profissional de outras pessoas — no improviso.
E aí a mesma pesquisa cravou o outro dado que fecha a conta: cerca de 70% da variação de engajamento de uma equipe se explica pelo gestor. Ou seja: o principal fator de engajamento da sua empresa é justamente o cargo que você nunca formou.
O engajamento caiu. E não foi culpa da geração Z.
O engajamento global caiu de 23% para 21% em 2024 — segunda queda em 12 anos (a primeira foi 2020, ano de pandemia). Custo estimado: US$ 438 bilhões em produtividade perdida, o equivalente a R$ 2,4 trilhões. Se as empresas engajassem de verdade, a Gallup calcula um ganho potencial de US$ 9,6 trilhões — 9% do PIB mundial.
O Brasil, curiosamente, está na contramão: engajamento saltou para 34% em 2024, 13 pontos acima da média global. Boa notícia? Meia notícia. Porque 45% dos profissionais brasileiros relatam estresse alto no dia anterior à pesquisa — acima da média mundial de 40%. Estamos mais engajados e mais esgotados ao mesmo tempo. Traduzindo: seu time tá dando o sangue apesar da sua gestão, não por causa dela.
E o pior indicador escondido no relatório: o engajamento dos próprios gestores caiu de 30% para 27%. Entre gestoras mulheres, queda de 7 pontos. Você está pedindo ao elo mais desengajado da cadeia que seja o motor do engajamento dos outros.
💡 Antes de rodar mais uma pesquisa de clima pra descobrir que "o problema é a comunicação", pare e responda: você sabe qual é o perfil comportamental de cada gestor que você promoveu no último ano? Se não, você não tem gestão — tem torcida. É o que a Mapeyo resolve com o Mosaico de Talentos.
"Mas a gente treina." Não, você faz workshop.
Aqui mora a segunda verdade incômoda do relatório: mesmo entre os 44% que receberam treinamento, metade continua ativamente desengajada. Traduzindo em bom português: a maior parte do que sua empresa chama de "desenvolvimento de liderança" é conteúdo genérico, sem diagnóstico prévio, sem acompanhamento e sem medição depois. É palestra motivacional com coffee break.
A Gallup mostrou o que funciona — e não é sofisticado:
- Treinar todos os gestores, mesmo com formação básica, reduz pela metade o desengajamento extremo.
- Capacitar líderes em mentoria e coaching aumenta em até 28% o desempenho das equipes.
- Investir no bem-estar da liderança eleva em 32% o senso de sucesso dos próprios gestores — que é o que sustenta o resto.
O problema não é falta de método. É falta de aplicação com quem está de fato liderando — cada um do jeito que é, e não como uma média genérica.
Você não promove liderança. Você promove sobrevivente.
A lógica mais comum nas empresas brasileiras continua sendo: quem entrega bem como IC vira gestor. Como se as duas coisas fossem a mesma habilidade. Não são. Liderar é um outro trabalho, com outras competências comportamentais — e você não vai descobrir se a pessoa tem ou não tem por currículo, tempo de casa ou feeling do diretor.
É por isso que o mesmo relatório mostra: quando o gestor é treinado com foco em boas práticas, o próprio engajamento dele sobe 22% e o do time até 18%. O ROI de treinar liderança não é opinião. É número.
O que falta na maioria das empresas é o passo antes do treinamento: saber quem é aquele gestor, como ele decide, como ele delega, como ele lida com conflito e como ele engaja pessoas diferentes dele. Sem esse diagnóstico, você treina no escuro — e depois se surpreende com metade da turma continuando desengajada.
🧭 A plataforma da Mapeyo mapeia o perfil comportamental de cada líder, cruza com o perfil do time e mostra, com dados, onde estão as lacunas de gestão que a pesquisa de clima só vai descobrir daqui a 8 meses — quando o talento já pediu demissão.
O custo do improviso tem CNPJ, não geração.
É mais confortável culpar a geração Z, o home office, o mercado, o WhatsApp. Mas os dados dizem outra coisa: o desengajamento tem endereço. Fica no andar da liderança que nunca foi formada — e no RH que continua tratando cargo de gestão como recompensa de performance individual.
Sua empresa não tem problema de engajamento. Tem problema de gestão não formada, medida no achismo e sustentada por sorte.
Enquanto isso, 56% dos seus gestores continuam voando sem CNH. E você continua culpando o vento.
Então decida. Ou você forma quem lidera, com diagnóstico comportamental e método, ou você continua pagando US$ 438 bilhões da sua parte da conta — traduzido em turnover, clima ruim e talento indo embora.
Fonte dos dados:
- Gallup, State of the Global Workplace 2025 — 100 mil profissionais em 160 países. Engajamento global 21%, gestores 27%, 44% treinados, 70% da variação do engajamento explicada pelo gestor. Cobertura Brasil e síntese em português: Forbes Brasil, 24/04/2025.
- Relatório completo Gallup: State of the Global Workplace.
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