Comportamento

91% do RH escolhe alto potencial pelo humor do chefe. Depois estranha que 78% dos gestores brasileiros não enxerguem sucessor.

88% dos líderes de negócio ao redor do mundo escolhem o alto potencial por métodos subjetivos. Só 30% usam ferramenta científica. E no Brasil, 78% dos gestores temem não ter sucessor até 2035. Não é coincidência. É consequência. A diferença não é sorte. É método.

Adriano Abreu24 de setembro de 2026

O gestor apontou o dedo. E você chamou isso de plano de sucessão.

Existe um ritual sagrado no RH brasileiro. Toda vez que abre uma vaga acima, alguém puxa a planilha, olha para o gestor da área e pergunta: quem você vê como próximo?

O gestor pensa três segundos. Aponta.

Esse dedo apontado — ali, naquela reunião, com base em três meses de convivência e uma pitada de simpatia — é o que sua empresa chama de identificação de alto potencial. É o que vira sucessão. É o que vira promoção. É o que vira o próximo líder que vai carregar a operação nos próximos dez anos.

Agora leia o número: 91% do RH global identifica alto potencial usando avaliação de desempenho e recomendação do gestor como métodos principais. Um estudo global da Talogy com mais de 1.000 profissionais em 2025 escancarou isso. E 88% dos líderes de negócio admitem: escolhem HiPo por métodos subjetivos. Só 30% usam ferramentas científicas. Só 45% do RH usa assessment psicométrico.

Ou seja: nove em cada dez empresas do mundo estão escolhendo o próximo líder pelo humor do chefe daquele mês. E chamando isso de estratégia.

O Brasil está pagando essa conta agora — e vai pagar mais.

A Robert Half publicou em 2026 o Boardroom Navigator: Sucessão para a Próxima Geração de Líderes. Ouviu 100 executivos brasileiros de conselho e alta gestão. O resultado é uma sentença: 78% dos gestores brasileiros estão preocupados em identificar sucessores capazes de sustentar as operações até 2035.

Traduzindo: quase 8 em cada 10 líderes olham pra dentro da própria empresa hoje e não conseguem enxergar quem vai sentar na cadeira deles. E olha que a pesquisa é com quem já passou por comitê, quem já viu programa de HiPo rodar, quem já bancou treinamento executivo. Mesmo assim, não sabe.

Por quê? Porque a matéria-prima está errada.

30% das empresas privadas no Brasil apostam exclusivamente em desenvolvimento interno para sucessão. 50% misturam interno e externo. Investem. Treinam. Coacham. Enviam para o MBA. E, no fim, ainda não sabem quem promover — porque nunca mediram o que o profissional é. Mediram o que o gestor achou dele na última reunião.

O elefante na sala: performance ≠ potencial

Aqui é onde o método quebra. Um profissional pode ser brilhante no cargo atual e desabar no próximo. Pode ser mediano hoje e virar um líder transformador amanhã. O comportamento que faz alguém entregar na função de analista não é o mesmo que faz essa pessoa liderar 40 pessoas.

Mas o gestor não sabe disso quando aponta. Ele aponta quem entrega. Quem chega no horário. Quem sorri na reunião. Quem parece "pronto".

O resultado: a Gallup mostra que a rotatividade entre profissionais altamente talentosos e não engajados é igual à rotatividade dos menos talentosos e desengajados. Traduzindo: você identifica o "talento", investe fortunas, e ele vai embora do mesmo jeito — porque nunca foi o talento certo pra função certa. Era o favorito do momento.

A Gartner cravou: empresas com estratégia ágil de identificação de alto potencial têm 70% mais chance de ter uma banca forte de liderança pronta. As outras têm o quê? Têm 78% dos executivos brasileiros perdendo o sono.

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O que os 30% que usam ciência estão fazendo diferente

A divisão é clara. De um lado, os 88% que promovem pelo achismo. Do outro, os 30% que rodam assessment comportamental estruturado antes de decidir. E os resultados divergem tanto que já não cabe mais na mesma conversa.

Quem usa método científico consegue fazer três coisas que o método subjetivo nunca fez:

1. Enxergar o perfil, não o desempenho. O comportamento predominante da pessoa — como decide, como comunica, como reage a pressão, como colabora — é medido em variáveis comparáveis. Não sai da cabeça de ninguém. Está no dado.

2. Cruzar com a função que vai vir. O cargo atual pede uma coisa; o próximo, outra. O assessment mostra se o comportamento da pessoa combina com o perfil comportamental exigido pelo próximo degrau — antes de você promover e descobrir que combinou mal.

3. Escalar sem viés. O estudo INFORMS de 2025 mostrou algo que ninguém queria admitir: homens têm 20 a 30% mais chance de serem apontados como "alto potencial" do que mulheres com desempenho idêntico. Enquanto a decisão for humor de gestor, o viés vai continuar. O dado corrige.

É por isso que quando o RH senta pra decidir quem vira o próximo líder, o gestor pode continuar tendo intuição — mas a intuição agora encontra o dado do outro lado da mesa. E o dado ganha a discussão quando a intuição está errada.

O ROI que o mercado quer ver, mas nunca mediu

Em 2025, 79% dos RHs e 72% dos líderes de negócio se declararam eficazes em seus programas de HiPo. Mas quando o Talogy foi checar como eles medem essa eficácia, descobriu: a maioria só rastreia quem foi promovido. Não mede impacto de negócio. Não mede sucesso na função nova. Não mede retenção pós-promoção.

É como o executivo que se declara em boa forma porque comprou tênis novo. O dado real está em outro lugar.

73% dos programas de HiPo não geram retorno mensurável sobre o investimento — segundo pesquisa da Gartner citada pela Cloverleaf. Uma empresa de 5.000 pessoas que identifica 250 alto potenciais investe cerca de US$ 1 milhão por ano e 9.750 horas de desenvolvimento. Três quartos disso vira despesa afundada.

A conta não fecha porque o método na origem está errado. Não adianta desenvolver bem quem foi identificado mal.

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O gestor não é o problema. O método é.

Um gestor bem-intencionado, sério, com anos de casa, pode olhar para um profissional durante meses e ainda assim errar o alto potencial. Não por má-fé. Por falta de instrumento. Ele vê a superfície da entrega — não o comportamento que sustenta ou não a próxima função.

A piada é que a maioria das empresas gasta um caminhão em avaliação de risco financeiro, cenário econômico, benchmarking de mercado, e na hora de escolher o próximo CEO, CFO, diretor comercial ou head de operações, o critério vira "o gestor gosta do fulano".

O Brasil está descobrindo o preço disso agora. 78% dos gestores brasileiros não sabem quem vai sentar na cadeira deles em 2035. Não porque falta gente. Falta método pra enxergar quem já está na frente deles.

E aqui vale um recado direto pra quem lidera Gente & Gestão hoje: sua empresa vai continuar promovendo por achismo até você decidir que não vai mais. Ninguém vai chegar de fora e resolver isso. É decisão sua, hoje, colocar o próximo processo de sucessão em cima de um assessment comportamental de verdade — ou continuar pagando o preço do palpite.

Quem já mudou o método não volta atrás. Descobre pessoas que estavam invisíveis. Recusa pessoas que estavam na moda. Ganha tempo, ganha dinheiro, ganha banca. E dorme.

Os outros ficam com os 78%.

Então decida.


Fonte dos dados:

  • Talogy Global Study 2025 — New findings highlight gaps in how leaders assess high-potential talent (91%, 88%, 45%, 30%, 79%, 72%) — PR Newswire
  • Robert Half Brasil 2026 — Boardroom Navigator: Contratação e planejamento de sucessão para a próxima geração de líderes (78% dos gestores brasileiros, 30% desenvolvimento interno, 50% mix) — Robert Half
  • Gartner — Agile High Potential Employee Strategies (25% do RH considera estratégia bem-sucedida; 70% mais propensas a ter banca forte) — Gartner
  • Gallup — 6 Shifts to Transform Your High-Potential Talent Program (turnover entre talentos não engajados) — Gallup
  • INFORMS Organization Science 2025 (viés de gênero na identificação de HiPo, 20–30%) — via Cloverleaf

Na Mapeyo, a gente construiu uma plataforma de inteligência comportamental para que decisão de gente pare de ser palpite e vire dado. O Mosaico de Talentos cruza o perfil comportamental de cada pessoa do seu time com o perfil que a próxima função vai exigir — antes de você promover, antes de você contratar, antes de você desenvolver o alto potencial errado. Se sua empresa está entre os 78% que não sabem quem vai sentar na cadeira em 2035, a boa notícia é que dá pra descobrir agora. Conheça a Mapeyo →