Liderança

Promoveu o melhor técnico pra chefe. Engajamento do gestor caiu 5 pontos em 12 meses. 70% das empresas brasileiras repetem o erro — e chamam isso de carreira.

Gallup registra o menor engajamento de gestores da história: 22%. O Peter Principle não é piada — é evidência de 214 empresas. E 70% das empresas brasileiras continuam promovendo pelo motivo errado. A diferença não é sorte. É método.

Adriano Abreu05 de outubro de 2026

Fulano era o melhor vendedor da sua equipe. Batia meta todo mês, resolvia o problema do cliente antes do cliente ligar, tinha o dossiê do pipeline na ponta da língua. Você fez o que o manual manda: promoveu. Entregou a ele seis pessoas, uma meta de equipe e uma expectativa de que o comportamento que o fez excelente como individual contributor fosse, por mágica, o mesmo que o faria excelente como líder.

Não é. Nunca foi. E agora tem dado para provar.

O número que o seu CEO ainda não viu

O relatório Gallup State of the Global Workplace 2025 registrou algo que nunca tinha acontecido na história da série: o engajamento dos gestores caiu de 27% em 2022 para 22% em 2025 — queda de 5 pontos percentuais em um único ano. Os indivíduos contribuintes, que historicamente eram menos engajados que seus chefes, se mantiveram estáveis. Pela primeira vez, gestores não estão mais engajados que subordinados. A hierarquia da motivação se inverteu.

O custo da bagunça? US$ 10 trilhões em produtividade perdida por ano globalmente — 9% do PIB mundial, segundo o próprio Gallup.

Isso não é "crise de geração". Não é "síndrome do home office". É consequência direta de uma escolha gerencial que o RH e o CEO fazem toda semana: promover por competência técnica e esperar que a competência comportamental apareça depois.

O Peter Principle não é piada de livro de bolso. É evidência de 214 empresas.

O economista Alan Benson, com Danielle Li e Kelly Shue, publicou pelo NBER (Working Paper 24343, "Promotions and the Peter Principle") o estudo que decapitou a bela teoria de que "quem performa alto como executor performa alto como gestor". Analisando dados de desempenho de 214 empresas, os autores mostraram que o melhor vendedor da equipe tem maior probabilidade de ser promovido — e, após a promoção, o desempenho da equipe que ele passa a liderar cai.

A frase sem corporativês: a sua empresa está sistematicamente escolhendo o pior candidato possível para gestão — porque está escolhendo pelo motivo errado.

E você acha que faz isso por acaso? Não. Faz isso porque mede desempenho técnico com números e mede potencial de liderança com achismo. Em vez de olhar comportamento, você olha a planilha de vendas, o burn-down do sprint, a nota do NPS do time dele. Nada disso prediz se o cara sabe delegar, dar feedback, aguentar divergência sem explodir, ou tomar decisão sob pressão.

O Brasil está otimizando o erro

A pesquisa Tendências do RH 2025 da Koru, com cerca de 200 gestores de RH, encontrou dois dados que, juntos, explicam o buraco em que estamos:

  • 70% das empresas brasileiras priorizam promoção interna para posições de liderança.
  • Apenas cerca de 1/3 dessas mesmas empresas tem programa estruturado para desenvolver esses profissionais antes de eles assumirem a função.

Traduzindo: 7 em cada 10 companhias dizem "crescemos nossa gente de dentro" como se fosse virtude. Dois terços dessas 7 empregam a dita gente sem preparo nenhum. É contratação às cegas disfarçada de plano de carreira.

Combine isso com a pesquisa Robert Half feita com 100 executivos brasileiros: 78% dos gestores estão preocupados em identificar sucessores até 2035. Entre empresas de capital aberto, apenas 52% investem em desenvolvimento de liderança — e esse é o número alto; nas privadas é pior.

Lê de novo: a maioria das empresas brasileiras sabe que vai faltar liderança, sabe que promove sem desenvolver, e continua fazendo. Isso não é problema de orçamento. É problema de método.

💡 Esse é exatamente o buraco em que o Mosaico de Talentos da Mapeyo foi desenhado pra tapar. Ele cruza perfil comportamental, histórico de atuação e aderência à função — para que a promoção pare de ser aposta em quem bate meta e passe a ser decisão sobre quem bate meta e sustenta time. Veja como o Mosaico mapeia liderança antes de ela quebrar o engajamento →

O que a sua empresa devia estar medindo antes de assinar uma promoção

A promoção à liderança é a decisão de maior alavancagem que uma companhia toma — e, estatisticamente, a que ela toma com menos dado. É o inverso do que você faria com uma compra de ERP: lá você bota comitê, RFP e piloto. Para dar um time inteiro na mão de alguém, você olha o número do trimestre.

O que separa quem acerta de quem erra não é sorte. É medir, antes da cadeira, as três coisas que o cargo técnico nunca testou:

  1. Padrão de delegação. Como ele responde quando o resultado depende de outro? Micromanageia, trava ou abre espaço? O Assessment Comportamental expõe isso em contexto, não em entrevista.
  2. Tolerância a divergência. Um gestor que entra em modo de defesa quando contestado forma time de aquiescência, não de desempenho. Perfil comportamental mapeia isso de forma reproduzível.
  3. Tempo médio de decisão sob ambiguidade. O IC decide com todos os dados. O líder, com metade. Quem precisa de certeza para andar paralisa a equipe no primeiro trimestre.

Nada disso é ciência de foguete. É aplicação de inteligência comportamental à decisão mais cara do RH — a mesma lógica que você usa para contratar fora, aplicada para promover dentro.

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O engajamento do gestor não é problema do gestor

Ele é consequência direta de uma escolha que foi feita antes dele sentar na cadeira. Enquanto a sua empresa continuar escolhendo líderes pela planilha de desempenho técnico — e ignorando o perfil comportamental, o fit com o time, o padrão de delegação —, você vai continuar vendo o engajamento do gestor cair, o time dele descolar e o custo acumulado chegar na conta de turnover no fim do ano.

A diferença entre as empresas que acertam e as que torram orçamento com formação de líder quebrado não é tamanho, setor, ou gestão de topo. É método. É medir comportamento antes de dar a cadeira — não depois.

Então pare de promover pelo passado técnico. Comece a decidir pelo comportamento futuro. A sua folha de 2027 agradece.


Fonte dos dados:

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