Liderança

Seu gestor era o mais engajado da empresa. Não é mais. E você promoveu o próximo do mesmo jeito.

A Gallup acabou de mostrar: em dois anos, o engajamento dos gestores globais despencou de 30% para 22%. No Brasil, o engajamento geral caiu para 39% — o pior da série histórica desde que Flash e FGV começaram a medir. E você continua escolhendo quem lidera pelo mesmo critério de sempre: quem entrega mais. A crise não é dos gestores. É do jeito que você os escolhe.

Adriano Abreu21 de agosto de 2026

Por anos, o gestor foi o funcionário mais engajado da empresa. Não por bondade da vida corporativa — por matemática. Ele tinha mais autonomia, mais visibilidade, mais senso de propósito. A Gallup chamava isso de engagement premium: um bônus estrutural de motivação que vinha embutido no cargo.

Acabou.

Segundo o State of the Global Workplace 2026, publicado pela Gallup em abril, o engajamento dos gestores caiu de 30% em 2023 para 22% em 2025 — uma queda de 8 pontos em dois anos. Nunca aconteceu com essa velocidade. E o gap para os colaboradores individuais praticamente evaporou: eles estão em 19%. A liderança intermediária, que era o para-raio da cultura, virou o pior lugar da empresa pra se estar.

Agora aterrisse isso no Brasil.

O Brasil está pior. E o motivo é o mesmo.

A terceira edição do estudo Engaja S/A, feita pela Flash em parceria com a FGV EAESP e divulgada em 2025, ouviu 5.397 profissionais brasileiros. O resultado: apenas 39% se dizem engajados, uma queda de 5 pontos percentuais em relação a 2024 e o menor patamar da série histórica. Seis em cada dez brasileiros vão trabalhar amanhã com algum grau de desmotivação.

A fatura já chegou: os autores estimam R$ 77 bilhões por ano em perdas — cerca de 0,66% do PIB — combinando turnover e presenteísmo (aquele funcionário que está fisicamente na cadeira e mentalmente em qualquer outro lugar).

Quando você soma os dois relatórios, o diagnóstico fica cirúrgico: a crise de engajamento é uma crise de liderança. E a liderança está quebrando porque foi montada errado.

O erro está no critério de promoção, não no gestor

A Gallup vem repetindo há uma década uma frase que ninguém quer ouvir: 70% da variância no engajamento de um time é explicada por uma única variável — quem é o gestor. Está nos relatórios de 2015, 2019, 2023 e reafirmado em 2025. Se você conhece o chefe de alguém, consegue prever o engajamento daquela pessoa com precisão embaraçosa.

Se o gestor explica 70%, então promover mal é o erro operacional mais caro que uma empresa comete. E é exatamente o erro que a esmagadora maioria comete todo trimestre.

O padrão brasileiro é conhecido: promoveu quem bateu meta. Promoveu quem "tem perfil de liderança" (tradução: fala bonito na reunião). Promoveu porque "chegou a vez". Nenhum desses critérios prevê comportamento de liderança. Todos eles preveem, no máximo, execução técnica no cargo anterior.

O resultado é um gestor médio que:

  • Foi promovido pelo que fazia sozinho, e agora precisa performar através dos outros.
  • Não sabe qual é o próprio perfil comportamental — a ciência diz que há cerca de 85% de chance de ele se avaliar errado, como já mostramos aqui.
  • Não sabe o perfil de quem lidera.
  • E ainda dá feedback "do jeito dele".

Ele não está desengajado por preguiça. Está desengajado porque foi colocado num lugar que não é dele — e todo mundo à volta sente.

O que muda quando você escolhe gestor por dado comportamental

Escolher liderança sem dado é o equivalente organizacional a operar sem raio-X. Você vê o sintoma (meta batida, meta perdida), não vê a estrutura. Quando a estrutura desmorona, você troca o gestor e recomeça a loteria.

Quebrar o ciclo exige três coisas, nesta ordem:

  1. Mapear o perfil comportamental do candidato à liderança antes de promover. Não pra dizer "esse pode" ou "esse não pode" — pra saber como essa pessoa lidera, em quais contextos ela performa, quais são os pontos cegos previsíveis e o que precisa de suporte estruturado desde o dia um.
  2. Mapear o perfil do time que vai ser liderado. Um gestor analítico-detalhista comandando um time criativo-visionário não é falha de caráter, é falha de composição. Dá pra prever no papel antes de a bomba estourar.
  3. Combinar os dois em um mosaico legível. Não uma pilha de PDFs de assessment. Um mapa único que responde: onde tem sinergia, onde tem atrito estrutural, quem precisa de qual conversa, e onde a liderança vai patinar se ninguém intervier.

Esse é o trabalho que a Mapeyo faz.

💡 Mosaico de Talentos, na prática: mapeamos o perfil comportamental de cada líder e de cada liderado e cruzamos os dois em um único diagnóstico visual. Onde a Gallup mostra que 70% do engajamento passa pelo gestor, o Mosaico mostra por onde passa — antes da promoção, não depois da demissão. Veja como funciona →

"Mas meu gestor já foi promovido. E agora?"

A melhor notícia dos números da Gallup é secundária, mas importante: algumas organizações engajam seus gestores em níveis quatro vezes maiores que a média global. Ou seja, o problema é solúvel — não é geração, não é economia, não é o Brasil. É método.

O que essas empresas fazem de diferente não é magia. É que elas param de tratar a liderança como uma promoção e passam a tratar como uma função com repertório definido. Elas sabem o perfil de cada gestor, sabem onde ele patina, e organizam o suporte (mentoria, formação, redistribuição de escopo) em cima desse dado — não em cima da autoavaliação otimista do próprio gestor na PDI.

Dá pra fazer com gestor já promovido. Não precisa demitir ninguém. Precisa parar de fingir que se conhece cada um deles pelo café da manhã.

🧭 Se você lidera RH ou uma unidade de negócio agora, o primeiro passo é ter um raio-X comportamental dos seus líderes atuais — pra saber, com dado, onde estão os riscos de engajamento do time nos próximos 12 meses. Fale com a Mapeyo →

O custo do achismo já está na sua planilha. Você só não somou ainda.

R$ 77 bilhões por ano no Brasil. US$ 10 trilhões no mundo, ou 9% do PIB global, segundo a mesma Gallup. Cada ponto de engajamento perdido equivale a 21 milhões de trabalhadores desengajados a mais no planeta. Isso não é métrica de RH. É macroeconomia.

Enquanto o mercado inteiro trata isso como "problema de cultura", a evidência aponta para um problema de seleção. Você escolhe seu gestor mal, e o restante — clima, produtividade, turnover, presenteísmo — é a conta chegando.

A boa notícia: essa conta ainda não precisa ser a sua.

Pare de promover no achismo. Comece a promover no dado.

Então decida.


Fonte dos dados:

  • Gallup — Global Employee Engagement Continues Decline / State of the Global Workplace 2026, publicado em abril de 2026: engajamento global em 20% em 2025 (menor nível desde 2020), engajamento de gestores caindo de 30% em 2023 para 22% em 2025, US$ 10 trilhões em perda de produtividade global (9% do PIB). Leia aqui.
  • Gallup — Managers Account for 70% of Variance in Employee Engagement, meta-análise reafirmada nos relatórios State of the American Manager e State of the Global Workplace entre 2015 e 2025. Leia aqui.
  • Flash & FGV EAESP — Engaja S/A 2025 (3ª edição), com 5.397 profissionais brasileiros: 39% de engajamento (queda de 5 p.p. vs. 2024), menor patamar da série histórica, R$ 77 bilhões/ano em perdas (0,66% do PIB) somando turnover e presenteísmo. Leia aqui.

Na Mapeyo, a gente transforma promoção de gestor em decisão com dado, não em torcida. Mapeamos o perfil comportamental de cada líder, cruzamos com o perfil real do time no Mosaico de Talentos e mostramos, antes de a bomba estourar, onde a liderança vai gerar engajamento — e onde vai gerar rotatividade. Porque num Brasil de 39% de engajamento, sua vantagem competitiva não está no que você faz depois que o talento vai embora. Está no jeito que você escolhe quem lidera ele.