Comportamento

Sua empresa mede tudo. Menos o que afastou 546 mil brasileiros do trabalho em 2025.

O Brasil bateu recorde de afastamentos por saúde mental em 2025: 546.254 benefícios concedidos pelo INSS, alta de 15,66% em um ano. Enquanto isso, sua empresa acompanha em tempo real o CAC, o churn e o estoque — mas descobre o esgotamento de um talento no dia em que chega o atestado. O problema não é falta de dado. É onde você escolheu não olhar.

Adriano Abreu16 de julho de 2026

Pense no painel do seu carro. Velocidade, combustível, temperatura, pressão dos pneus — tudo monitorado em tempo real. Agora imagine dirigir um carro que só avisa que o motor fundiu depois que ele fundiu. Ninguém aceitaria. Mas é exatamente assim que a maioria das empresas gerencia gente: descobre o esgotamento quando chega o atestado.

Em 2025, chegaram muitos atestados.

O recorde que ninguém quis bater

Segundo o Ministério da Previdência Social, o INSS concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária ligados a transtornos mentais e comportamentais em 2025 — o maior número da série histórica e um crescimento de 15,66% sobre os 472.328 de 2024.

O detalhamento importa: 166.489 afastamentos por transtornos ansiosos e 126.608 por episódios depressivos lideram o ranking. 63,46% dos benefícios foram concedidos a mulheres. São Paulo, sozinho, respondeu por 149.375 casos.

Cada um desses números é uma pessoa que passou por processo seletivo, onboarding, avaliações de desempenho, reuniões de clima. Passou por todos os rituais do RH — e mesmo assim ninguém viu chegando.

O mundo inteiro está pagando essa conta

O Brasil não está sozinho. O relatório State of the Global Workplace 2026, da Gallup, mostra que o engajamento global caiu para 20% em 2025 — o menor patamar desde 2020, depois do pico de 23% em 2022. A conta do desengajamento: US$ 10 trilhões em produtividade perdida, cerca de 9% do PIB global.

E tem um dado que deveria tirar o sono de qualquer diretoria: a queda recente do engajamento global é puxada principalmente pelos gestores, cujo engajamento despencou de 27% para 22% entre 2024 e 2025. A mesma Gallup mostra que líderes reportam mais estresse (+7 pontos), mais raiva (+12), mais tristeza (+11) e mais solidão (+10) do que contribuidores individuais. A camada da empresa responsável por cuidar das pessoas é a que está quebrando primeiro.

Antes de continuar, responda com sinceridade: se um dos seus melhores gestores estivesse a três meses de um afastamento por ansiedade, que dado da sua empresa mostraria isso hoje?

💡 É exatamente esse ponto cego que o Mosaico de Talentos elimina: um mapa vivo do perfil comportamental do seu time, que mostra onde estão as pressões, os desajustes entre perfil e função e os riscos invisíveis — antes de virarem atestado.

A partir de agora, não medir é infração

Se o argumento humano não convenceu sua diretoria, o jurídico vai convencer. Desde 26 de maio de 2026, a fiscalização da NR-1 atualizada passou a ter caráter punitivo: empresas com empregados CLT são obrigadas a incluir riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) — identificar perigos, avaliar exposição e implementar medidas de mitigação. O período educativo acabou. Agora há multa.

Ou seja: o que era boa prática virou obrigação legal. A empresa que gerencia saúde mental no achismo não está apenas perdendo gente — está descumprindo norma regulamentadora.

Achismo não cabe no PGR

Aqui está o paradoxo que me incomoda há anos: a mesma empresa que exige dashboard para aprovar uma campanha de R$ 10 mil gerencia a saúde da sua operação inteira com base em impressões de corredor. "Fulano anda quieto." "O time parece cansado." "Acho que é fase."

A Gallup mostra que isso não é inevitável: em organizações com práticas de gestão de excelência, 79% dos gestores estão engajados — quase quatro vezes a média global. A diferença entre esses dois mundos não é orçamento de benefício, fruta na copa ou palestra de bem-estar. É método: medir o que importa, com frequência, e agir sobre o que os dados mostram.

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546 mil avisos

O recorde de 2025 não é uma estatística de saúde pública distante. É a soma de meio milhão de avisos ignorados dentro de empresas como a sua — sinais que existiam, mas que ninguém estava medindo.

Em 2026, sua empresa vai continuar monitorando o estoque em tempo real e as pessoas por atestado. Ou vai colocar gente no painel, do lado dos outros indicadores que você não abre mão de acompanhar.

Você já sabe o que acontece quando ignora a luz do motor. Então decida.


Fonte dos dados:

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